sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Raras Lições Para não Esquecer de Esquecer



(André de Moraes)

Esqueci
Que um dia
Por plena euforia
Me perdi
Mas caminhei
Sem muito pensar
Entreguei
Nunca pedirei de volta
Talvez jamais tenha sido meu
O momento do sorriso
Que de tão caloroso
Parecia abrigo
Assim era
Como mentira sincera
Que o tempo não cuidou
E se acabou
Quando vagueei na vil terra
Que nem mesmo
A mais forte memória
Havia de resistir em recordar
Posto que nada mais era
Se não a cratera
No fundo do tempo
Que, como documento,
Deixa-nos apenas a espera
Essa mesma
Que com o coração não coopera
Mantendo perto
Um sentimento encoberto
Tão fixo quanto o vento
Tão pouco quanto um cento
Tão errado quanto certo
Agora preso por ser liberto
Dizia ser fechado
Que trancado jazia
Mas estava sempre aberto...


Para Linda Luz.


sexta-feira, 30 de junho de 2017

Reações Adversas (Vide Bula)

(André de Moraes)


Diz
Como quem cala
Enterra a vala
Derruba a matriz
Cega, de fato, o juiz
Sem paredes faz a sala

Olha
Diverte o oprimido
Divide com a sorte o comprimido
Com suor a toalha se molha
No doce a língua enrola
Mais cervejas para o ouvido

Cheira
Sente o vestígio da presença
Disparada por ser intensa
Deixa sempre à beira
Fora a cor, é poeira
Que vai bem na venta
Sem desculpas nem licença
Pois quando suja é com estrela

Inala
Corrói-te a fumaça
Faz inveja pra traça
Faz do pulmão uma senzala
Da célula negra que rala
Quem disse que o prazer era de graça?
Que fugia da questão da raça?
Deita na rede da sala
Dá outro trago e embala
O respirar ainda te abraça

Deixa como está
Seguro
Embora não tão maduro
Mas afeito a suportar
O mesmo corpo quer amar
Alimentar-se do escuro
Dançar por qualquer barulho
Fazer de qualquer buraco seu lar
Até o próximo viajar
Para que não esqueça o futuro
Pois qualquer muro
A vida represada há de derrubar
Para te lembrar de navegar
Com o tempo prematuro...



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Quando a Ciência Precisa de Fé


Esses dias, durante um levantamento bibliográfico, não facilmente encontrei um livro derivado das pesquisas do Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea – PRO-VÁRZEA, outrora facilmente disponível para baixar no antigo site do IBAMA. Isso me foi um indicador do declínio da pesquisa, em especial em questões ambientais, na Amazônia nos últimos anos.

Ingressei na UFAM em 2005, ano de publicação do livro que eu buscava. Até 2008, ano de conclusão do curso, comecei a compreender melhor a pesquisa científica e me identificar com aquilo. Segui. Projetos, atividades de campo, artigos, grupos de pesquisa, trabalhos técnicos, etc. Depois mestrado e trabalho tanto na Gestão em CT&I quanto na área ambiental. “Doutorado agora não, vou ter outras experiências”.

Depois, de repente (mas sem muita surpresa) a desastrosa vitória de José Melo nas eleições para Governador do Amazonas simplesmente acaba com mais de uma década de trabalho na construção e consolidação dos sistemas de CT&I e de Meio Ambiente no Estado (expondo também suas fragilidades). Depois, um golpe de Estado em nível federal termina de fuder tudo.

Sei que ficou ruim pra todo mundo que não está no esquema. Mas falando como quem vinha trabalhando nas áreas de CT&I e Ambiental (que não representam prioridades nas ações governamentais), as coisas ficaram críticas. Não há perspectiva nenhuma. E pior é o incalculável desperdício de recursos.

Exemplifico. Participei de um projeto para implementação de Unidades de Conservação Estaduais no Amazonas com um orçamento de milhões de reais cujos resultados hoje não são aproveitados, por conta das diretrizes políticas do Estado. Em 10 anos, muitxs formaram-se em nível de mestrado e doutorado no Amazonas, com bolsas da CAPES, CNPq e FAPEAM, e agora estão sem perspectiva nenhuma.

Daí, em várias conversas com colegas de ofício acadêmico, eu sempre cito que há 5 ou 10 anos atrás, com a formação que temos hoje, estaríamos tranquilamente trabalhando, principalmente no governo e terceiro setor. Ou seja, uma das conclusões é que eu e mais uma galera fomos formados para atuar em algo que simplesmente não existe mais.

Isso não é apenas uma discussão sobre empregabilidade. Mas sim, sobre como se pode desperdiçar o potencial de uma geração que se capacitou e está preparada para contribuir com a melhoria da vida como um todo. Como se distancia toda uma nova geração dessas áreas tão importante por não haver nenhuma perspectiva. Como se consegue inventar um tênue limiar entre resultados extremamente positivos de um programa governamental e uma fragilidade que pode desconstruí-lo da noite pro dia.

Não faltariam dados para comprovar os avanços nas áreas em discussão nos últimos 15 anos, ao mesmo tempo em que não faltam provas para atestar uma corrupção desenfreada no mesmo período. Adivinhem quem permanece e quem é desconstruído? A questão de fundo é de cultura política.

O prejuízo é muito grande. Não sei quando teremos um cenário semelhante ao de 2005, momento no qual se publicavam estudos bons e inéditos sobre a Amazônia feitos por cientistas brasileiros e da região e se ampliava o acesso ao ensino superior de forma a aumentar a presença de jovens oriundos de minorias (preto/indígena, pobre, nortista, etc.), como eu.

Por não me restar outra condição senão a de resistência, estarei com mais uma galera aí na luta para que não demore. Mas, no fim, não é uma questão de tempo cronológico. Nossa vontade é inversamente proporcional à "vontade política". Nossas mãos e corações ainda são poucos e todos os dias temos “baixas”, com colegas voltando para os seus/suas e/ou buscando qualquer coisa para trabalhar e sobreviver.

E, por a ciência não ser nenhuma última tábua salvação, como acredita-se, espero que xs colegas se encontrem em ofícios que lhes dê prazer, satisfação, realização e uma grana. Pensar que alguém que fez doutorado não pode ser jardineiro ou bartender é o mesmo que dizer que as pessoas que ocupam ofícios como esse podem até gostar de ciência, de pensar, refletir sobre a realidade, mas não tem direito a fazer um doutorado por que isso está restrito a quem se almeja cientista. Ou seja, não universaliza a proposta acadêmica.

Para quem insistir nessa de ciência, resta-nos assumir a contradição de lutar baseados na crença de que vai dar certo. Sim, tenhamos fé, cientistas! Isso por que se nos apoiarmos no próprio método científico para fazer uma análise dos dados e da conjuntura para as áreas de CT&I e Ambiental a médio e longo prazo no Brasil e Amazonas, os resultados certamente indicariam que não perdêssemos tempo investindo nisso, para fins de trabalho.

Como minha relação com a ciência não tem se restringe à dimensão estritamente laboral, insistirei mesmo me descobrindo em qualquer outro ofício que pouco dependa dela. Com todas as críticas possíveis, ela já ajudou muito a "sair das trevas mais sombrias" e apenas tentar desconstruí-la é criar um vácuo perigoso em um momento quando o "espírito das luzes*" mostra seus limites.

Não desejo voltar
Aos tempos de outrora
Mas simplesmente que o tempo de agora
Não me faça abandonar os meus desejos
Que, como certos beijos,
Compensam a demora...

André de Moraes
Manaus, pico da cheia de 2017.


*em alusão ao livro homônimo de Tzvetan Todorov

terça-feira, 6 de junho de 2017

9º Andar

(André de Moraes)


Um cigarro naquela janela
A cidade como uma tela
Virtuais abraços
Ô visita boa
Um devaneio a toa
Da festa que parecia boa
Um beijo lhe resta
Floresce a angústia
Que enternece a memória
Ao pensar na altura
Onde deixara a história
E na viagem
Não se completa a saudade
Que moveu o pensamento
Levando depois o pé
Na crença que ainda é
O já passado momento
Para o qual não existe instrumento
Que o faça voltar

Mas por que não voar
O passarinho amante do vento
Cantando no entorno da vida
Ainda crendo que solfejo
Faria despertar sonoro desejo
Base da sua lida?

Pequena verdade fria
Onde calor não sobra
Pois falha foi a obra
Que para acesso
Não deixou via
“Fechado”
“Ocupado”
Na porta se lia

Cansadas
Porém incessantes
Flores caladas
Se doam
Ecoam
Mas já havia ido
A primavera
Agora são
Eram
Ou serão
Apenas desculpas para varandas
De janelas
Elas
Como a banda
Cuja música ninguém canta
Pois é como preso sem sela
Que não foge dela
Pois pela parede se encanta
Mas depois de recusada a dança
Apenas traga
Assistindo na tela
A cidade que não cansa
Nem queda mansa
Mas ensina
Que uma boa sina
É a que nunca se alcança
Mas se desfaz como trança
Antes que a cabeça
Mesmo que amanheça
Ceda à vil semelhança...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ali-vi-o Espinho

(André de Moraes)


Pareciam flores
Cheguei mais perto
Não sabendo ao certo
Pensei amores
No coração desabrocharam cores...
Era um espinho de pétalas coberto

Indaguei seu disfarce
Como podia enganar-me assim
Ousando melhor aparência para si
Na esperança que eu o abrace?

O espinho respondeu:
Minha vida é ferir
E depois ver o ferido partir
Não espera para entender como eu
Sem aquilo que o poeta nos deu
Poderia alguém atrair

Voltei para mim
Abracei o espinho
Dor ao invésde carinho
Suportei até o fim
Suei orvalho naquele jardim
Até que surgisse um ninho

"Não espere prazer"
Disse o espinho já comedido
Apontando para outro sentido
Mostrava rosas a florescer
Lembrando os olhos do doce viver
E na cúmplice pele, o dolorido

Eu, não mais arrependido
Habitei aquele lugar
Vi que mil vidas poderia ter tido
E em todas, o espinho havia de abraçar
Mesmo sem pétalas, sem disfarçar
Aquilo me seria abrigo...


Pelo tempo das muitas cumplicidades que abrigamos em nós ❤🍃

terça-feira, 4 de abril de 2017

Naquela Paixão Vi-vida

(André de Moraes)

A paixão que eu não vivi
Diz muito sobre mim
Cedi contínuo “sim”
Ao tempo que passou e não sofri
Como quando dormi
Enquanto acordada
Estavas dentro de mim

A paixão que não vivi
Não voltou
Foi-se com saudades daquela dança
Que nos envolveu como trança
E partindo
O laço
Desatou
Sorrindo
Chorou
Jamais saberia se indo
Renunciava amor

A paixão que não vivi
Ainda vive
Resiste
Mas não insiste
Talvez cansada do ócio
Que povoou nossos lábios
E não nos fez sócios
Do comum negócio
Que não fechamos
Pelo desperdício voluntário
Como apertado salário
Que se gasta com qualquer troço

A paixão que não vivi
Vi
Noutro seio
Sem rodeio
Rodava e torno de si
Feliz
Consegui sorrir
Mas não hábil atriz
Refiz
O trajeto do pensamento
Que de tão intenso
Nunca passou
Decidido ficou
Revisitando em contínuo o tempo
Quando o ali era aqui
E o depois, agora
Naquela hora
Entendi

A paixão que não vivi
Aconteceu
Não comigo
Mas com um outro eu
Que noutro seio encontrou abrigo
Ao invés de inimigo
A mim completou
E semeando o que sobrou
Colhi um destino
No qual não me confino
Pelo tu que em mim restou
Liberdade

E amor...



quinta-feira, 30 de março de 2017

A Solidão da Palavra Não Dita

(André de Moraes)


A ponta daquela língua
Por muitas vezes hospedara aquelas palavras
Que não saíam visto as muitas travas
E acabariam solitárias e à míngua
Numa vida de direção ambígua
Que da dúvida se via escrava

Quanto seria suficiente motivo
De estranha, porém real, atitude
De não acolher a calada palavra como virtude
Antes satisfazer-se na capa do livro
Que semelhante ao teto de vidro
Se quebra
Não importando beleza ou amplitude

Solitária àquele presente
A palavra ousou sair
Não sabendo mais como mentir
Nem mais suportando ser tida como doente
Reivindicando tratamento coerente
Cansada foi dormir
Acordou ao sentir
Que haviam lhe atribuído nova corrente
E em vão tentou destruir como o mesmo dente
Que um dia ornou seu sorrir
E hoje parecia simplesmente servir
Como prova de sua tentativa inocente

Todavia não se rendeu
Rangeu até o fim
E não havendo mais dia
A noite foi sua guia
Na construção do interno jardim
Onde boas culturas vingavam, enfim
E um refúgio se construía
Até que juntas as “mudas” fossem a livraria
Que para sempre teria dentro de si
E somente quem entrasse ali
Veria
Entenderia
Comigo a sorrir...



...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Inconvencível Argumento

(André de Moraes)


Infinitas conversas
Alegres
Desconcertantes
Modestas
Tudo era argumento
Para não nos convencer
Para que não chegasse o amanhecer
Em nosso prazeroso e confuso sentimento

Vago era o entendimento
Ousada a expressão
Palavras brotavam do chão
Floreavam em leal sentimento
Da paisagem fora complemento
Do sol, rotação

Tal bela construção
Da palavra me tirou o assento
Do tempo, o momento
Do espaço, a posição
Antes tanto justificado quanto em vão
Ofuscou o árduo esclarecimento

A ida se foi
Sem constrangimento expôs
Quão frágil era a palavra
Que, ao menor contato com o corpo em lava,
Recorria ao “depois”
Longe não se podia ser dois
Próximos, o tato lhes era lavra

A noite se opôs a solidão
E o outro dia me foi quase contento
Em alusão ao movimento rápido e lento
O tempo foi descontinuação
Tal qual a razão
Cujo limite era mil intentos
No fim não passava de argumento
Tentando calar aquela imersão

Resquícios daquele ninho
Cuja atuação não exigia roteiro
Apenas que fosse por inteiro
Ornado de sutil carinho
Ventos acumulados em nosso moinho
Instigavam-me pelo seu cheiro
Que ainda vivo no meu travesseiro
Era rastro do que ficou pelo meio do caminho...


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Coracionalta de Primeira Viagem

(André de Moraes)

A paixão é uma obra
Que muito espera da alma
Inquieta, não se acalma
E a vida não desdobra
Para a desejada valsa
Precisa do tempo que falta
Nunca contente com aquele que sobra

O tesão também é obra
Daquelas de menor acabamento
Geralmente nada lento
Pula muros, faz manobra
Morde a língua, encanta a cobra
O tempo é durante, é momento
E o intervalo até a próxima é a sobra

Mas ousada obra é o amor
Que a tudo se ousa voluntário
Cuida do alheio orquidário
Mesmo sem saber o que é flor
Parte para muito ardor
Se o tempo lhe for raro
Cultiva a florada em diário
Se constante a presença for

No fim
Somos inacabada obra
Em caderno sem pauta
Serei seu coracionalta
Quando o tempo que me sobra
For o mesmo daquele que te falta
E o tempo que me flauta
For o mesmo que te trova...

#haikaibalão

❤ =)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sara

Inspirado em Calvino, segue a descrição de Sara, uma das cidades invisíveis que visitei no pensamento, como forma de estender sua existência para outras pessoas.
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Sara era uma cidade intrigante. A entrada era um grande espelho cuja moldura era composta por sentimentos involuntários dos seus habitantes. Cor, forma e textura que involucravam a moldura davam a ideia de como estava o humor dos citadinos. Todavia, isso era perceptível apenas para quem já havia estado em Sara, que era uma cidade de única visita: uma vez dentro, ou se mora nela ou, saindo, não mais é possível voltar. Também não é possível que alguém que já a visitou elucide o sentido dos sentimentos involuntários para outrem que lá nunca esteve. Após entrar no espelho era compreensível que não houvesse necessidade de voltar ali. A sensação era de completude e estranha compreensão total das relações que ali existem desde sua fundação. As várias versões de como a cidade surgira eram divergentes e complementares. A cada chuva, havia uma nova revelação sobre a história de Sara: o sol secava parte do chão de forma que, a parte que ainda ficava molhada formava algumas palavras que eram unidas no “grande abrigo das histórias jamais contadas em vão”. Ali essas palavras eram muito bem cuidadas como se fossem crianças. A intenção era que elas crescessem e se tornassem textos que iriam contar uma faceta da história de Sara. Havia voluntários para garantir o pleno desenvolvimento dos textos. Especial atenção era ofertada para uma fase equivalente adolescência humana. Nesta, as palavras sempre pensavam em desistir de virar textos históricos para ingressar em poesias pagãs de uns agitadores que, no passado, tentaram dar outros usos as palavras. Alegavam os mancebos sobre a possibilidade de se alcançar maior diversidade nas revelações se as palavras tivessem mais autonomia. Foram transformados em órfãs utopias. Os textos, já crescidos maduros e autônomos, revelavam, além dos acontecimentos e demais sensações de quem havia construído a cidade, novos usos para os espelhos nos quais as pessoas moravam. Acreditava-se que um dia aconteceria uma chuva que revelaria como voltar a cidade e todxs temiam que isso descontinuasse suas vidas naquele lugar que era composto somente por pessoas que não queriam ter que voltar para lá. Com tempo escasso, não consegui conversar com muitos textos no “grande abrigo das histórias jamais contadas em vão”. Mas conheci o revelador de como a moldura funciona. Não é possível explicar, pois é algo que só entende estando na cidade. Quem sai se lembra de tudo, mas vai esquecendo à medida que vai passando as informações para alguém seja de forma oral, escrita ou qualquer outro meio. Ou seja, já não lembro mais de nada que escrevi aqui. Ao tentar reler, a única coisa que conseguirei ver é um espelho. Um parágrafo em transição para se tornar um texto explicou que isso acontece, pois ninguém jamais sai daquela cidade antes de relatar tudo aquilo que absolveu de lá. Ensinar o caminho da cidade para outras pessoas era outra forma de esquecê-la completamente. Para quem nunca esteve em Sara, cada informação que recebe sobre a cidade é uma chance a menos de conhecê-la. Moraria em Sara, mas saí sem vontade de voltar por que sabia que jamais ela sairia de mim. E para morar em mim, não precisa renunciar nada. É bem mais fácil. Eu apenas não posso mais dizer nada. E também creio que não queiras mais saber.
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