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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PORTA DE COLETIVO CAI ENQUANTO PASSAGEIROS DESCIAM

“Por que a porta e não o Pré-feito?”
André de Moraes
Manaus, 23 de novembro de 2011.

Hoje, no meu deslocamento diário de 002 (interbairros), tudo ia como sempre. Demora, engarrafamentos e o desconforto de uma condução lotada. Em certo momento eu ouvia notícias pelo rádio enquanto o ônibus para no ponto próximo ao campo do “buracão” no Parque Dez de Novembro. De repente, ouço um barulho e percebo comentários com risos e ironias. A porta do coletivo havia caído quando o ônibus parou.

O motorista é alertado por passageiros e recolheu a porta acomodando-a no meio do coletivo que, após essa intervenção, seguiu seu trajeto normalmente.  “Nem pra ter caído no chifre do Negão!” exclamou uma passageira. Os trabalhadores, estudantes e demais usuários demonstravam expressões que mesclavam o trágico e o cômico, mas seguiam para seus compromissos comentando a periculosidade da situação. “seriam esses os novos ônibus que justificaram o aumento da passagem?”. Tratei de registrar a situação e torna-la pública esse episódio para não estar sujeita à pauta da mídia.


Realmente a gestão municipal não leva a sério os usuários do transporte coletivo em Manaus e não faz o mínimo esforço de promover uma discussão qualitativa. Estamos sujeitos a um prefeito notadamente perdido. O modelo político (centralizado, populista e baseado numa democracia incompleta que se esgota representatividade) que a atual gestão insiste em adotar não dá mais certo como outrora. A maior possibilidade de acesso à informação encurtou mais ainda as pernas da mentira. Isso, combinado ao eco cada vez maior das vozes que reclamam o interesse coletivo, desenha um cenário favorável a uma proposta política com maior participação e controle social resultando na indução do processo político no sentido dos interesses da coletividade.

O que podemos e devemos fazer é explorar a crítica latente por trás de episódios como este e divulgá-las fazendo com que, ao invés de portas de coletivos, vá abaixo de uma vez o “pré-feito” (nos moldes da sua visão política ultrapassada) Amazonino Mendes e toda a sua promiscuidade política, pois acredito que, se ainda havia alguma máscara, essa já caiu há muito tempo.



Fotos: André de Moraes.




terça-feira, 5 de abril de 2011

Por um Acidente no Percurso da Política Manauense

André de Moraes


Já prevíamos, quando das eleições de 2008, que a situação da cidade de Manaus seria ruim com o prefeito eleito. Todavia, hoje penso que todas as nossas piores expectativas estavam muito aquém daquilo que estamos vivendo. Recebo a ligação do grande companheiro Maiká, nervoso e revoltado me relatando o acidente com um ônibus expresso na Alameda Cosme Ferreira, que fez vítimas fatais. Revolto-me e fico pensativo. Chegamos ao extremo de pagar com vidas. O que mais poderá acontecer?

O planejamento e gestão urbana em Manaus nunca foram levados a sério. Entretanto não é possível afirmar que eles não existam. O problema são as mãos que conduzem esse processo e suas motivações. Uma vez esvaziado o papel do estado, entra em cena a iniciativa privada com seu objetivo-mor, o lucro, e gere a cidade segundo seus negócios. Quem garantirá o interesse público? O transporte coletivo tornou-se individual quando somos forçados a admitir que seus benefícios só residem no bolso dos empresários. De coletivo, restam todas as mazelas que o sistema proporciona: mal estar, assédio, desconforto, demora, lotação, perigo, etc. e etc. A população é educada ideologicamente pela mídia no sentido da naturalização desse processo e se detém alheia aos problemas que só os afetam quando atingem aos seus. Todas e todos pagam, muitos sofrem, poucos se indignam, menos ainda se manifestam e muitos ainda reclamam de quem protesta. O palco está montado para uma ampla discussão de como superar o problema.

Parecemos estar longe de uma solução. A licitação não é levada a sério. Estatizar o sistema está fora de cogitação. A condição de trabalho dos motoristas e cobradores é depreciadora. O fomento ao carro particular. A gestão pública sendo feita com interesses privados. Um parlamento municipal e estadual, em sua maioria pelego, sendo “massa de manobra” de caciques políticos. A representatividade não dá conta do cenário político atual. Muitos são os fatores e poucos são os atores. Somente a população pode dar o eco necessário às poucas vozes políticas, tais quais José Ricardo, Marcelo Ramos e Praciano dentre outros, com quem eu sei que podemos contar.

Esse cenário parece desesperador e tomara que o seja. A despeito dos problemas técnicos, precisamos de seriedade e competência de profissionais que forneçam a leitura adequada do sistema. O caráter político, transversal da discussão dos “problemas urbanos” parece ser uma reflexão sempre urgente. Compaixão ou pena não são bastam às pessoas que perderam os seus no acidente. Rezas e orações têm seus limites e nunca serão suficientes. Mãos delicadas com os que choram e firmes com os que exploram são muito mais construtivas. Mentes populares, coletivas, pensantes, críticas, criativas e propositivas podem, e devem, induzir um acidente no percurso político. Mas enquanto o Amazonino e seus comparsas estiverem aí, esse acidente pode até acontecer, mas sempre estará no seguro total. Por isso, Fora Amazonino!

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fora Amazonino!

Hoje, ao chegar em casa, acesso o twitter pelo celular e me deparo com algumas mensagens indignadas com o Amazonino. Até então, nenhuma novidade. Numa delas, havia um link para o YouTube e assisti ao vídeo que realmente justifica as mensagens que eu havia lido. O vídeo retrata o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, no auge do seu descontrole “sugerindo” para a moradora de uma área de risco que “Morra” por três vezes (igual a Pedro negando Jesus) depois desta ter dito que morava ali por não ter opção. Não satisfeito, pergunta sua origem e ao ouvir “sou do Pará” solta: “pronto, tá explicado!”. E entendo a indignação dos tuiteiros e promovo o assunto para meus poucos seguidores. E me motivo a escrever um registro para o blog.

Minha primeira reação foi uma indignação do tamanho dos problemas que a cidade enfrenta por omissão e incapacidade de gestão pública. Como pode uma reação dessas? Vi que a repercussão já conta no mínimo com Globo, Folha, G1, UOL, etc. que, embora eu tenha restrições a tais veículos, reconheço que atingem um público muito amplo. A assessoria tentará explicar. Os coniventes/parceiros/dependentes de Amazonino ficarão calados. Os vereadores da situação esperarão um pouco para ver se devem ou não abandonar o barco do “capitão Negão”. A oposição irá pra cima (espero). Mas quem vai definir isso é a população. Por isso devemos dar um basta nessa política de “faz de conta” que já não engana mais a ninguém e tomar as ruas numa só voz: FORA AMAZONINO!

Esse episódio é só um estopim para uma revolta latente do povo manauense. Temos que registrar nossas impressões sobre o ocorrido e direcionar essa mudança que já está em curso desde as manifestações pela meia-passagem. Seguir o exemplo do Egito e externar a revolta de quem está segregado nas áreas de risco e ainda tem que encarar preconceito daquele que deveria trazer sua solução. Que morra e seja enterrada a velha política populista que maquia a realidade e que de sua compostagem sujam alternativas para a justiça social e o direito à cidade. Enquanto isso não acontecer, que não haja paz no mundo politiqueiro na qual Amazonino representa o que há de pior.

André de Oliveira Moraes

Confira abaixo o vídeo da cena.