domingo, 26 de maio de 2013

Descoberta

André de Moraes




Horas se amanheciam bem vindas
Para aquele dia das muitas liberdades
No interno ser que, em si, comunidade
A condição de tornar incerta a medida
Abandonando qualquer volta por uma nova ida
Ao vislumbrar, em sutil cena, nova realidade...


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Permita-se

André de Moraes















Numa louca chuva de vontades
Uivava baixo o comedido coração
E longe de saciar o interno leão
Apenas domesticava as tempestades
Sem sonhos, utopias nem liberdades
Ao Fim da chuva, enxugava o chão
Esperando, debalde, um breve verão
Perdia pro tempo, vidas e idades...


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Bloco da Frei José dos Inocentes 2013

"Eu sei, eu sei. Lá vem o bloco do Frei. Eu sei como é que é, eu sei como é que é, é o Bloco do Frei José!" (Marchinha do Bloco Frei José dos Inocentes 2013)


Em algum dia de janeiro, na primeira edição da roda de samba da Vivenda Verde na casa do Cléber Cruz, soube do Bloco da Frei José dos Inocentes. O Cléber, que estava entre os compositores do bloco afirmou ser um bloco de rua bastante original e animamo-nos em participar no carnaval de uma das primeiras ruas de Manaus.

No dia 12 de fevereiro de 2013 presenciamos a terceira edição do bloco e realmente tratava-se de uma programação da comunidade. Alegria, diversão e irreverência. Algumas figuras da comunidade (Nazinha, Dona Chiquinha, Seu Zé, Tita) e o próprio Frei José foram convertidos em "Marotes" (bonecões como os tradicionais de Olinda) e desfilavam no bloco.

Da minha parte, deixo o pequeno fragmento poético que fiz depois de participar do Bloco e as imagens captadas de um celular para testemunhar.


Tempo Folião
(André de Moraes)

Em blocos rendia-se à vontade
Na inundante folia nunca assaz
Mas em seu coração, feliz como jamais
Explorava sua vasta e oculta liberdade
Onde sonhos ignoravam suas idades
E sempre voltam ao mesmo cais
Onde prometeram viver sem iguais
Para, em seu tempo, sofrer a leal saudade...



Placa de identificação da Rua Frei José dos Inocentes.


Primeiro desfile dos Marotes, ainda de dia.

Matores preparados para o desfile. 

Nazinha, a irreverente moradora mais antiga da rua com o folião fantasiado e a criança.

Os carros transitavam na rua normalmente uma vez que a organização não pediu solicitação da prefeitura para interditar a rua. 

 A banda!
 
Participação de músicos no Bloco.

Momento de animação. 

Cléber (que não é o Cruz) e Diana com um dos Marotes


Marote da Nazinha e os foliões fazendo "trenzinho" ao seu redor.

A trupe: Cléber (que não é o Cruz), Juliana, Folião Fantasiado (não perguntei o nome), Diana, André e Álvaro.

Para ter uma ideia da animação no Bloco.

Fotos e Vídeo: André de Moraes.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Visita aos Waimiri-Atroari Ainda é Incerta

Comissão Nacional da Verdade, que investiga violações contra direitos humanos durante a ditadura, planeja vir ao Amazonas


Originalmente Publicado por ACritica.com.

Há três meses, a Comissão Nacional da Verdade criou uma comissão específica para investigar violações contra os índios do povo suruí, cuja terra está localizada no Pará, durante a ditadura militar. A psicanalista Maria Rita Kehl, que integra a CNV, já iniciou os diálogos com os jovens que vão ajudá-la nessa investigação, colhendo depoimentos dos indígenas suruí mais velhos.

No Amazonas, a expectativa é que uma comissão nesses moldes também seja desenvolvida junto aos índios waimiri-atroari, povo que, segundo relatos do indigenista Egydio Schwade, do antropólogo Stephen Baines, da jornalista Verenilde Pereira, e de tantos outros que trabalharam com este povo, também foram vítimas da ditadura. Há uma estimativa que duas mil pessoas da etnia tenham morrido durante o processo de ocupação de suas terras para construção da rodovia 174 e construção de empreendimentos para exploração e escoamento de minério dentro de suas terras.

Não faço parte do comitê no Amazonas da CNV, mas tenho acompanhado os debates, as deliberações dos seus integrantes, bem como as notícias referentes a estes debates. Uma dessas notícias era (ou é, depende ainda de decisões a serem tomadas) que Maria Rita Kehl viria a Manaus neste mês de fevereiro. O roteiro incluía reuniões em Manaus, em Presidente Figueiredo e, claro, em uma das aldeias do povo waimiri-atroari. A data prevista da visita estava marcada para os próximos dias 22 e 23.

Soube na semana passada que esse cronograma não está confirmado. O plano esbarra na dificuldade de organizar até o dia 22 os representantes das 30 aldeias waimiri-atroari, segundo explicações do coordenador do Projeto Waimiri-Atroari (PWA), Porfírio Carvalho, dado à CNV.

Sendo assim, há agora um impasse se essa reunião e a visita de Maria Rita deste mês vão ou não acontecer. A outra alternativa é aguardar final de março, que é quando poderá ocorrer uma grande reunião de todas as aldeias waimiri-atroari.

Dois parênteses. Para quem não sabe, o PWA é quem coordena as ações junto aos waimiri-atroari – e não a Fundação Nacional do Índio (Funai) – desde os anos 80. O PWA é um programa da Eletronorte criado para compensar os imensos impactos sociais e ambientais causados na terra dos waimiri-atroari pela Hidrelétrica de Balbina.

Desde então, qualquer contato com os waimiri-atroari é feito por meio do PWA. Eu mesma não sei como é essa relação. Nunca entendi. Das vezes que tentei (sem sucesso) ir na aldeia dos waimiri-atroari os contatos sempre foram PWA e não Funai. O acordo de criação PWA foi firmado para durar 25 anos, prazo que se encerra, aliás, neste ano de 2013. A Eletronorte ainda não informou se vai renovar.

Esperemos que as notícias sobre os crimes da ditadura junto aos waimiri-atroari não fiquem apenas nos relatos descritos nos texto de Egydio Schwade e outros indigenistas que conheceram aquela realidade.

Corre uma versão que os waimiri-atroari não estão muito empolgados em falar sobre este período. Que, segundo consta, eles não estão animados para não desenterrar esse assunto. Pode ser. E pode não ser. Para tirar qualquer dúvida, o ideal seria perguntar dos próprios. Para que tudo se esclarece, que não permaneça oculto ou abafado. Se eles não querem falar, é melhor saber diretamente deles. E não apenas de uma aldeia ou de um grupo. Mas de todos.

Enviei um email para o Porfírio Carvalho para que ele responda sobre a dificuldade de reunir representantes das aldeias para o dia 22 e a reunião do final de março. Assim que ele responder, acrescentarei neste texto.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Disperdício

André de Moraes



















Numa louca chuva de vontades
Uivava baixo o comedido coração
E longe de saciar o interno leão
Apenas domesticava as tempestades
Sem sonhos, utopias nem liberdades
Ao fim da chuva enxugava o chão
Esperando, debalde, um breve verão
Perdia pro tempo vidas e idades...


Fonte da figura: http://poesiasdamariazelia.blogspot.com.br/2010_11_01_archive.html

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Mal do Ingresso Universitário Precoce

André de Moraes


Já é de praxe que todos os anos se tenham casos de aprovação de estudantes que não concluíram o ensino médio nos exames de ingressos nas universidades públicas (vestibulares e ENEM). Estes acionam a justiça para acelerar sua formação e garantir a vaga. Nesse ano não foi diferente. Alguns jornais de Manaus noticiaram alguns casos envolveram a Universidade Federal do Amazonas – UFAM e a Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Com isso, surge um debate que não podemos nos furtar, pois diz respeito a todos nós e, neste texto, exponho o porquê em dois pontos que considero principais.

Em primeiro lugar, que há uma questão de bom senso. Não se pode exigir de um adolescente que acaba de sair da infância uma decisão dessa magnitude tampouco os pais podem exercer o total controle sobre a vida dos filhos ao ponto de decidirem-na. Com muita propriedade, a Professora e Pedagoga Arminda Mourão, Diretora da Faculdade de Educação da UFAM em entrevista à A Crítica alerta que adolescentes de 16 anos não têm maturidade suficiente para o ingresso na faculdade considerando as etapas necessárias para o desenvolvimento intelectual e contato com temas importantes que o ajudarão a maturar essa escolha. Alguns dos exemplos que conheço são emblemáticos. Dos colegas que ingressaram comigo na UFAM com esse perfil, alguns disseram que teriam feito outro curso se tivessem tempo para escolher; outros abandonaram para fazer outras coisas; houve quem se formou, mas não atua na área de formação ou atua e não se sente realizado; há quem ainda esteja na universidade indo de curso em curso; poucos estão satisfeitos. Óbvio que somente uma pesquisa poderia ser mais precisa nesses dados, mas o cenário não parece que seria muito diferente deste. Todavia, o status que ainda representa o ingresso precoce na faculdade pública (não tenho notícias de tamanha ansiedade para ingresso numa faculdade privada) é capaz de ofuscar todos esses fatores em virtude de um prazer imediatista que pode resguardas desagradáveis conseqüências com as descritas.

Outro aspecto refere-se aos custos (na concepção mais ampla da palavra) da evasão no ensino superior, que pode ser resultado das escolhas equivocadas. Segundo a pesquisa do Professor Oscar Hipólito, o país chega a perder 9 bilhões de reais com a evasão no ensino superior. Não é uma cifra tímida. Este recurso poderia estar sendo revestido em melhoria de infraestrutura e ampliação de vagas das universidades públicas. Isso sugere urgentemente que pensemos em estratégias de diminuir esses índices de evasão ao assegurar maior nível de precisão na decisão dos jovens estudantes que ingressam nas universidades. Enquanto no Amazonas, e certamente em outras partes do Brasil, muitas famílias lutam por um ingresso precoce de seus filhos, há uma tendência mundial no sentido contrário. Uma iniciativa, ainda recente no Brasil, que visa garantir um intervalo qualitativo entre o ensino médio e a faculdade já está em curso e é muito bem vista. Conhecida no Brasil como “Pré-Graduação”, esta permite ao estudante uma experiência diferenciada com todas as áreas do conhecimento incluindo ciência, filosofia e artes como forma de qualificar sua escolha (mais informações nesse vídeo). É importante destacar que se trata de um serviço que não é barato e o governo não dispõe de tal. Mas é uma experiência importante para ajudar a pensar esse processo de precipitação rumo ao ensino superior que estamos presenciando.

Sobre essa questão, verifiquei que nesse ano a UEA questionou o pedido de matrícula de um estudante que não havia concluído o ensino médio e que a direção da UFAM aparentemente nada faz a esse respeito este ano (e talvez nem nos anos anteriores) sem, sequer, problematizar a situação internamente. O questionamento da UEA foi importante para se travar minimamente um debate que resultou em algumas outras reportagens mesmo a apelação tendo sido negada pelos desembargadores. A questão está longe de um consenso ao passo que existem posicionamentos de servidores do poder judiciário que reprovam o ingresso precoce como é o caso do promotor Sérgio Fernando Harfouche, titular da 27ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude. Todavia, ainda é insipiente o debate sobre o assunto. Mas os Desembargadores do Tribunal de Justiça do Amazonas não estão sós em cometer o desfavor de promover o ingresso precoce. Está em tramitação na Câmara o Projeto de Lei 6834/10, de autoria do Deputado Federal Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), que permite a matrícula em universidades para estudantes que tenham concluído o segundo ano do Ensino Médio e sido aprovados em exames de ingresso. Ou seja, já existe uma tentativa de formalizar todo o desastre anunciado com uma justificativa paupérrima (acesse o projeto na íntegra aqui). Acredito que esta é uma pauta importantíssima para a educação no país e as universidades, como espaços de formação intelectual e crítica, não podem se furtar a esse debate, mesmo por serem as mais atingidas.

Por fim, deixo a ótima reflexão feita pela professora Amélia Luisa Damiani do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Esta destaca que a expectativa de vida vem aumentando no último século e, contraditoriamente, as pessoas parecem ter mais pressa em definir suas vidas quando poderiam aproveitar melhor as fases. O “tempo” social urbano está viciado no imediatismo pragmático que não permite experiência outras que não estejam amarradas a palavras como relógio, despertador, expediente, hora. Sair desse ciclo é dificílimo depois que se é absorvido pelo mundo do trabalho. Então, por que adiantar esse universo para um adolescente que ainda nem consolidou suas experiências pessoais e sociais? Isso é preocupante. Faz recordar o não reconhecimento da infância no período da revolução industrial onde as crianças eram tratadas como meros adultos em miniatura. Só existe perda de tempo para quem se ilude acreditando que tem sua posse total. Logo, deixemos que os ciclos se completem. Se assim não for, em pouco tempo estaremos formando crianças exigindo que elas tenham atitudes de adultos, ou seja, uma incoerência sem tamanho.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Infantasias

(André de Moraes)



Infantil parecia
Aquela euforia
De acorde e melodia
Universo faria
Um quintal teria
Uma flor bastaria
Brincadeira seria
A visão de uma pia

Festa e fogo, domaria
Em busca encontraria
Domingo companhia
Notável o dia
Assiste em romaria
Destino não adia
A estrela corria

Cores sentia
Amores havia
Levantava e caia
Sem dor sorria
Fundando poesia
O lugar via
Carnaval e fantasia

Abraço ardia
Contato Maria
Olhar sentia
Lar abrigaria
A solidão se ia
E paz aparecia
E voltando movia
Ao despertar alegria


Fonte da figura: http://ajuda.discoverybrasil.uol.com.br/operacao-sorriso/