Acredito 'fielmente' na função das artes na construção e divulgação do conhecimento científico. Mas ultimamente notei que meu violão não mais me acompanhava nas viagens de campo, para ministrar aulas, etc. Daí parei para fazer uma poesia tentando captar o que me diria meu violão por estar sendo subestimado em sua função artisitco-científica. Daí ele me falou o que segue durante a aula de Introdução aos Estudos Geógraficos na turma do PARFOR em Itacoatiara,em 05/02/10...
O Violão Subestimado
(André de Moraes)
No canto não mostro encanto
E ciência, seca e insolúvel, não tragada
Sem arte, musica-se o nada
Se do conhecimento me faz estranho
Se notas ou deixas no anonimato
E acordes não se conjugam para o sono
De método tão espa(r)ço no Chronos
E resultado sem ritmo, meio parado
Perco para o exausto silêncio
Na dispersão de palavras deslocadas
Meu som seria alento a revoada
E o saber fecundo a todos os momentos
Antes da ciência eram as artes...
Tirando as aspas da fidelidade, viva a arte das/nas ciências!
quarta-feira, 31 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Ataner a Otenos
Soneto feito por mim em fevereiro de 2007 para a querida amiga Renata Schimitt.
Ataner a Otenos
(André de Moraes)
Não vejo porque da ausente atenção
Se presente desatento o fará
Se corrente não realista será
As tentativas que os olhos trarão
Amparado pelo silêncio em vão
Com a tecnologia ao nosso favor
Sem ter de quem esconder, a rigor
O que deveras povoa o coração
Debalde estarei a descrever silêncios
Se os olhos não enxergam o latente
Presente que não deixou momentos
Perco as vias e porções do sono
Escrevo versos enquanto dormes
Pedindo licença, os abandono
...
Ataner a Otenos
(André de Moraes)
Não vejo porque da ausente atenção
Se presente desatento o fará
Se corrente não realista será
As tentativas que os olhos trarão
Amparado pelo silêncio em vão
Com a tecnologia ao nosso favor
Sem ter de quem esconder, a rigor
O que deveras povoa o coração
Debalde estarei a descrever silêncios
Se os olhos não enxergam o latente
Presente que não deixou momentos
Perco as vias e porções do sono
Escrevo versos enquanto dormes
Pedindo licença, os abandono
...
segunda-feira, 8 de março de 2010
Às Mulheres...
Colegas, sabemos da contrução histórica da luta das mulheres e, nesse dia, deixo uma singela mensagem para estas dádivas.
Às Mulheres
(André de Moraes)
Às que lutam, minhas mãos para ajudar
Às que vão, meus pés para acompanhar
Às que choram, meu ombro para consolar
Às que voltam, meus braços para abraçar
Às que sorriem, minha poesia para registrar
Às grandes, um banquinho para poder alcançar
Às que entram, sensibilidade no abrir da porta ao chegar
Àscumprimentadas, cavalheirismo para a mão beijar
Às feridas, minha alegria para ajudar a curar
Às que sonham, meu amor para que sempre possam recomeçar
Às que temem, minha segurança para, em paz, continuar
Às cansadas, meu abrigo para descansar e, assim, voltarem o caminhar
Às carentes... é melhor deixar pra lá...
Parabéns mulheres!
Às Mulheres
(André de Moraes)
Às que lutam, minhas mãos para ajudar
Às que vão, meus pés para acompanhar
Às que choram, meu ombro para consolar
Às que voltam, meus braços para abraçar
Às que sorriem, minha poesia para registrar
Às grandes, um banquinho para poder alcançar
Às que entram, sensibilidade no abrir da porta ao chegar
Àscumprimentadas, cavalheirismo para a mão beijar
Às feridas, minha alegria para ajudar a curar
Às que sonham, meu amor para que sempre possam recomeçar
Às que temem, minha segurança para, em paz, continuar
Às cansadas, meu abrigo para descansar e, assim, voltarem o caminhar
Às carentes... é melhor deixar pra lá...
Parabéns mulheres!
quinta-feira, 4 de março de 2010
O que se passa...
Depois de ver o filme "O Jardineiro Fiel" fiz essa poesia.
O que se passa...
O que se passa pela mente, pelo dizer a verdade ou pelas palavras mal-ditas...
O que se passa pelo coração, pela cor sem ação e pelo estreito portão...
O que se passa pelo que se acabou, pelo que ainda não começou e pelo que se espera iniciar...
O que se passa pela disposição, se não dizes a posição e nem assim quer ficar...
O que se passa pelo carinho, para um menino um carrinho, para nós caminho...
O que se passa pela estrada, depois de passar é ex, e antes o solo trada...
O que se passa pelo bem, sendo assim não muito além, suficiente para quem...
O que se passa pela oração, um sujeito que clama, um predicado que vem...
O que se passa pelo afago, o afeto desconhecido, o fato consumido ou o produto consumado...
O que se passa pelo porão, sem saber onde colocar, nem sentir quando me tirarão...
O que se passa pelo sabor, língua que só tateia, corpo servido em porção...
O que se passa pela música, ca(n)tadores de poesias, restos nas ruas da partitura...
O que se passa pelo substantivo, simples em palavra, derivado em motivo...
O que se passa pelo traidor, dizer o que este atrai, algo muito além da dor...
O que se passa pelo passado, bem ou mal passado, o cliente sempre tem razão...
O que se passa pela vida, se já vi-vida não lembro, se nunca vi a senti em vão...
O que se passa não passa, fica na memória;
Apenas esparsa o passado amarrotado que nunca ninguém passou, mas não dá mais tempo, tenho que ir embora!
O que se passa...
O que se passa...
O que se passa pela mente, pelo dizer a verdade ou pelas palavras mal-ditas...
O que se passa pelo coração, pela cor sem ação e pelo estreito portão...
O que se passa pelo que se acabou, pelo que ainda não começou e pelo que se espera iniciar...
O que se passa pela disposição, se não dizes a posição e nem assim quer ficar...
O que se passa pelo carinho, para um menino um carrinho, para nós caminho...
O que se passa pela estrada, depois de passar é ex, e antes o solo trada...
O que se passa pelo bem, sendo assim não muito além, suficiente para quem...
O que se passa pela oração, um sujeito que clama, um predicado que vem...
O que se passa pelo afago, o afeto desconhecido, o fato consumido ou o produto consumado...
O que se passa pelo porão, sem saber onde colocar, nem sentir quando me tirarão...
O que se passa pelo sabor, língua que só tateia, corpo servido em porção...
O que se passa pela música, ca(n)tadores de poesias, restos nas ruas da partitura...
O que se passa pelo substantivo, simples em palavra, derivado em motivo...
O que se passa pelo traidor, dizer o que este atrai, algo muito além da dor...
O que se passa pelo passado, bem ou mal passado, o cliente sempre tem razão...
O que se passa pela vida, se já vi-vida não lembro, se nunca vi a senti em vão...
O que se passa não passa, fica na memória;
Apenas esparsa o passado amarrotado que nunca ninguém passou, mas não dá mais tempo, tenho que ir embora!
O que se passa...
quarta-feira, 3 de março de 2010
"O Caminho das Perdas"
Amigos, essa história de ficar em pós-operatório está rendendo. Já saiu projeto, está saindo artigo e agora no início o que era apenas uma poesia passa a ser minha mais nova música, em memória do meu Avô Daniel Batista de Oliveira.
"O Caminho das Perdas"
(André de Moraes)
Momentos refletem idas
Num horizonte qualquer, sem destino
E os pe(r)didos, amor, lamentos
Olhar atrás, à-Deus maior, seguindo o vento...
Caminhos livres conduzem, passam
Mas o velho não passa, engoma
Com café que nos passa a Manta
Condiz à luz, maturidade, caminho alcança...
A perda é o passar da posse
E com preces se busca a volta
Na volta se esfria a busca
Padece a prece, aquece a posse, esquece a perda...
Confira o vídeo total e literalmente caseiro (tão caseiro que foi gravado na casa do meu Pai) do refrão no link
http://www.youtube.com/watch?v=C_w9FXpRuS8
"O Caminho das Perdas"
(André de Moraes)
Momentos refletem idas
Num horizonte qualquer, sem destino
E os pe(r)didos, amor, lamentos
Olhar atrás, à-Deus maior, seguindo o vento...
Caminhos livres conduzem, passam
Mas o velho não passa, engoma
Com café que nos passa a Manta
Condiz à luz, maturidade, caminho alcança...
A perda é o passar da posse
E com preces se busca a volta
Na volta se esfria a busca
Padece a prece, aquece a posse, esquece a perda...
Confira o vídeo total e literalmente caseiro (tão caseiro que foi gravado na casa do meu Pai) do refrão no link
http://www.youtube.com/watch?v=C_w9FXpRuS8
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
A Literatura em Perigo!
Abaixo uma resenha que fiz de um livro maravilhoso que li nesse carnaval. Para mudar nossa relação com a literatura e ela mudar nossa relação com o mundo.
TODOROV, Tzvetan. A Literatura em Perigo. São Paulo: DIFEL, 2009.
Sempre me chamou atenção o Neruda não lido solicitado para devolução em “Tocando em Miúdos” de Chico Buarque. Uma alusão preocupante à pseudo-intelectualidade que a simples posse de um livro parece oferecer perfaz a reflexão. E mais grave que isso: não conheço uma pessoa se quer que ponha em cheque a importância da literatura em contradição aos baixíssimos índices de leitura no Brasil. O que está acontecendo? O que distancia as pessoas de algo que elas mesmas assumem ser vital? De repente, soa o alarme! Uma denúncia devidamente identificada aparece na França: A Literatura está em Perigo! A atenção de um leitor em Manaus, AM, Brasil cuida de tentar difundir o caso para que o máximo de pessoas possam se mobilizar para o salvamento. Disto se trata esse escrito: um alerta aos atentos e um atento os alertos.
A premissa é conhecida: os meios estão se convertendo em fins. A fortuna crítica é ditada pelos métodos via forma e não permite o contato do leitor com a simples e pura aventura da leitura. A literatura não é apresentada aos estudantes sem que estes tenham tarefas como analisar sintaticamente o texto. Regras gramaticais como abre alas não tem garantido que o público queira prestigiar todo o desfile literário com toda a riqueza e fantasia. A construção histórica desse paradigma reclama uma atenção ao fato da arte ter ou não a relação com o “mundo exterior”: serão polarizadas as opções em “baseada em fatos reais” ou “qualquer semelhança é mera coincidência”? Todorov esclarece que o diálogo da literatura com o mundo externo a ela deve se dar via leitor numa relação fecunda e criativa para o construto de novos horizontes de compreensão da realidade por este que decifra letras. “Todos os ‘métodos’ são bons desde que continuem a ser meios em vez de se tornarem fins”, pois a eles cabe surgir uma vez definido o objetivo, do contrário...
Os métodos são bem vindos. Podem ficar, tomar um café e aguardar sua vez enquanto a fecundidade emerge de paradas entre parágrafos para imaginar, rir, chorar. Depois se entende a engenhosidade do autor na “Construção”, com o qual podemos relembrar Chico novamente.
Depois de já ter lido a obra e parado por várias vezes para simplesmente imaginar, pensei na função metalingüística em segundo grau desta resenha e seu movimento. Um texto, falando de um livro que fala da literatura, com o objetivo de que os leitores cheguem ao livro e por sua vez, adotem outros caminhos para a literatura. Dentro e fora. Ir e vir. Sendo que a volta não pode ser como a narrada por Chico em “Trocando em Miúdos”, mas que chegar e partir, sejam só dois lados da mesma viagem, como Milton e Brant sugerem, o que com um Neruda, fica ainda melhor.
Leia!
TODOROV, Tzvetan. A Literatura em Perigo. São Paulo: DIFEL, 2009.
Sempre me chamou atenção o Neruda não lido solicitado para devolução em “Tocando em Miúdos” de Chico Buarque. Uma alusão preocupante à pseudo-intelectualidade que a simples posse de um livro parece oferecer perfaz a reflexão. E mais grave que isso: não conheço uma pessoa se quer que ponha em cheque a importância da literatura em contradição aos baixíssimos índices de leitura no Brasil. O que está acontecendo? O que distancia as pessoas de algo que elas mesmas assumem ser vital? De repente, soa o alarme! Uma denúncia devidamente identificada aparece na França: A Literatura está em Perigo! A atenção de um leitor em Manaus, AM, Brasil cuida de tentar difundir o caso para que o máximo de pessoas possam se mobilizar para o salvamento. Disto se trata esse escrito: um alerta aos atentos e um atento os alertos.
A premissa é conhecida: os meios estão se convertendo em fins. A fortuna crítica é ditada pelos métodos via forma e não permite o contato do leitor com a simples e pura aventura da leitura. A literatura não é apresentada aos estudantes sem que estes tenham tarefas como analisar sintaticamente o texto. Regras gramaticais como abre alas não tem garantido que o público queira prestigiar todo o desfile literário com toda a riqueza e fantasia. A construção histórica desse paradigma reclama uma atenção ao fato da arte ter ou não a relação com o “mundo exterior”: serão polarizadas as opções em “baseada em fatos reais” ou “qualquer semelhança é mera coincidência”? Todorov esclarece que o diálogo da literatura com o mundo externo a ela deve se dar via leitor numa relação fecunda e criativa para o construto de novos horizontes de compreensão da realidade por este que decifra letras. “Todos os ‘métodos’ são bons desde que continuem a ser meios em vez de se tornarem fins”, pois a eles cabe surgir uma vez definido o objetivo, do contrário...
Os métodos são bem vindos. Podem ficar, tomar um café e aguardar sua vez enquanto a fecundidade emerge de paradas entre parágrafos para imaginar, rir, chorar. Depois se entende a engenhosidade do autor na “Construção”, com o qual podemos relembrar Chico novamente.
Depois de já ter lido a obra e parado por várias vezes para simplesmente imaginar, pensei na função metalingüística em segundo grau desta resenha e seu movimento. Um texto, falando de um livro que fala da literatura, com o objetivo de que os leitores cheguem ao livro e por sua vez, adotem outros caminhos para a literatura. Dentro e fora. Ir e vir. Sendo que a volta não pode ser como a narrada por Chico em “Trocando em Miúdos”, mas que chegar e partir, sejam só dois lados da mesma viagem, como Milton e Brant sugerem, o que com um Neruda, fica ainda melhor.
Leia!
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O Interior Pescado nas Doces Águas da Biologia
Abaixo, minha carta de intenção exigida na inscrição para o Programa de pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca interior - BADPI do Insituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA.
Carta de Intensão - BADPI 2010
O Interior Pescado nas Doces Águas da Biologia
Temas amazônicos, como as águas e seus recursos, sempre permitem diferentes abordagens, tal qual diversa é sua apreensão pelos que ali condicionam suas vidas. Conhecimentos sólidos sobre biodiversidade, pesca, condições da água, entre outros, e as relações complexas que existem entre estes diferentes componentes, são prerrogativas que justificam a existência de um programa voltado ao estudo dos ecossistemas aquáticos amazônicos como o Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior – BADPI. Prazeres, desafios e responsabilidades se projetam aos que ousam ser o elo entre tal realidade e a ciência. Nesse contexto, a emergência, em duplo sentido, de pessoas que entendam a importância em tratar o assunto de forma: dedicada, privilegiando a legitimidade e reconhecimento do curso onde pretende ingressar; inovadora, na proposição de novas formas de produção do conhecimento inclusive em áreas pouco exploradas; e interdisciplinar, buscando a interface deste com outros conhecimentos e ferramentas que possam somar com o estado da arte do tema; é uma forma de contribuição com o desvendar das pretas, brancas ou claras águas amazônicas.
Os primeiros e ainda preliminares contatos, sob a ótica da ciência, com a realidade da pesca no rio Solimões, em excursão de campo em outubro de 2006, me instigaram ao estudo dessa realidade, o que resultou em um projeto de iniciação científica sobre o tema. A formação em geografia permitiu uma leitura outra sobre a problemática da pesca e esta base acadêmica, associada a informações coletadas in situ em meses de trabalho de campo, puderam subsidiar análises diferenciadas sobre o objeto de estudo que, à época, foi a pescaria dos grandes bagres migradores. Por volta deste período (agosto de 2007), deu-se início ao estágio no Laboratório de Fisiologia Comportamental e Evolução – LFCE do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, onde pude ter acesso às pesquisas desenvolvidas na Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática – CPBA e o universo da temática, até então limitado em minha mente. Entre excursões de campo e a convivência no INPA, nasce então o interesse em seguir pelos meandros dos estudos da biologia aquática. Sobressai a biodiversidade ictiologica e as suas relações com o espaço geográfico da Amazônia. O contato com o estudo de peixes elétricos (Ordem Gymnotiformes), e também como consequencia da função atual que estou exercendo no LFCE, de tratamento e organização da volumosa base de dados do laboratório sobre o tema, tem permitido o ensaio de idéias sobre a distribuição geográfica das espécies e sua relação com aspectos fisiográficos da região. Diversas possibilidades se apresentam e, ao analisar os programas de pós-graduação de Manaus, percebi que o BADPI oferece uma estrutura acadêmica sólida para contribuir na minha formação intelectual e no desenvolvimento dessa linha de pesquisa, que representa uma necessidade para estudo faunístico da região.
A inovação na ciência e tecnologia é parâmetro imprescindível para o eficaz enfrentamento dos novos desafios que se põem continuamente na Amazônia. Tal qual é a surpresa nos resultados, inovadora também deve ser o olhar sobre estes, sendo que, por vezes, somente novos olhares podem levar a novos resultados. A referida pesquisa de iniciação científica, agraciada com menção honrosa no Congresso de Iniciação Científica da UFAM – CONIC-UFAM, teve como destaque a inédita abordagem de aspectos relacionados à biogeografia dos peixes no estudo das cidades do rio Solimões. Além disso, a composição de uma música (Baré: bagres e redes) a partir dos resultados da pesquisa os tornaram de mais fácil difusão sendo esta executada tanto na apresentação no CONIC-UFAM, quanto em congressos nacionais onde o trabalho fora apresentado, contando com a aprovação de todos tendo, inclusive, repercussão na mídia local de Manaus. Atitudes criativas no âmbito das abordagens metodológicas e da difusão do conhecimento redundam em maior alcance da pesquisa no tocante aos resultados e na difusão deste. Além disso, experiências da inclusão do conhecimento tradicional nas análises podem ser avaliadas de forma positiva quando descoberto aporte do etnoconhecimento para o objeto de estudo. A abordagem biogeográfica de Gymnotiformes na bacia do Rio Negro tem boas perspectivas, pois tal inventário da biodiversidade não tem sido incluído na agenda de pesquisas em ictiologia na Amazônia como um todo. Com patente importância para estratégias de manejo e conservação, tal abordagem destaca-se como interface entre conhecimentos geográficos e biológicos. O uso de ferramentas de geotecnologia para tratamento e análise de imagens de satélite, espacialização dos dados e operações de estatística espacial são promissores nas análises ao que se pesem os fecundos resultados que tem sido encontrado na abordagem interdisciplinar perfeitamente possível com o uso dessas técnicas.
A proposta de uma dissertação que realmente resulte em contribuições significativas deve considerar esses e outros fatores. Optar pelo caminho acadêmico-científico de interpretação da realidade é uma construção que necessita de bases sólidas e compromisso para se efetivar num mundo onde o continuísmo insiste em residir. Entretanto, dedicação, inovação e interdisciplinaridade não são suficientes em si. Tais aspectos devem estar integrados e contar com doses bastante concentradas de uma afinidade com a Amazônia e seus problemas. Nobres intenções de contribuição na descoberta do novo para o avanço do conhecimento científico sobre a realidade sempre habitam os discursos dos muitos, e as práticas dos poucos. Para os que voltam para os seus, talvez fique a história de uma região que precisa ser conservada e mesmo o sentido de missão cumprida. Os que permanecem, quiçá percebam que somente a defesa de suas dissertações e teses não é suficiente contra o ataque da inconseqüência que protagoniza a degradação ambiental. Por vezes se cruzam tais fatos e, entre despedidas, seja de suas origens para os que ficam, ou de suas áreas de estudo para os que se vão, as ações não se tornam reflexivas no pensamento nem na realidade. Novas ponderações são necessárias quando se considera esse cenário. De qualquer forma, quando as práticas antecipam o discurso é sinal de que as chances de se alcançar uma práxis estão próximas mesmo que estas tenham sido cotidianas, na vida de quem nasceu e vive na região, e somente depois, com o ingresso na academia, passaram a ser científicas, como é meu caso.
____________________________________
André de Oliveira Moraes
Candidato
Leia e reflita!
Carta de Intensão - BADPI 2010
O Interior Pescado nas Doces Águas da Biologia
Temas amazônicos, como as águas e seus recursos, sempre permitem diferentes abordagens, tal qual diversa é sua apreensão pelos que ali condicionam suas vidas. Conhecimentos sólidos sobre biodiversidade, pesca, condições da água, entre outros, e as relações complexas que existem entre estes diferentes componentes, são prerrogativas que justificam a existência de um programa voltado ao estudo dos ecossistemas aquáticos amazônicos como o Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior – BADPI. Prazeres, desafios e responsabilidades se projetam aos que ousam ser o elo entre tal realidade e a ciência. Nesse contexto, a emergência, em duplo sentido, de pessoas que entendam a importância em tratar o assunto de forma: dedicada, privilegiando a legitimidade e reconhecimento do curso onde pretende ingressar; inovadora, na proposição de novas formas de produção do conhecimento inclusive em áreas pouco exploradas; e interdisciplinar, buscando a interface deste com outros conhecimentos e ferramentas que possam somar com o estado da arte do tema; é uma forma de contribuição com o desvendar das pretas, brancas ou claras águas amazônicas.
Os primeiros e ainda preliminares contatos, sob a ótica da ciência, com a realidade da pesca no rio Solimões, em excursão de campo em outubro de 2006, me instigaram ao estudo dessa realidade, o que resultou em um projeto de iniciação científica sobre o tema. A formação em geografia permitiu uma leitura outra sobre a problemática da pesca e esta base acadêmica, associada a informações coletadas in situ em meses de trabalho de campo, puderam subsidiar análises diferenciadas sobre o objeto de estudo que, à época, foi a pescaria dos grandes bagres migradores. Por volta deste período (agosto de 2007), deu-se início ao estágio no Laboratório de Fisiologia Comportamental e Evolução – LFCE do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, onde pude ter acesso às pesquisas desenvolvidas na Coordenação de Pesquisas em Biologia Aquática – CPBA e o universo da temática, até então limitado em minha mente. Entre excursões de campo e a convivência no INPA, nasce então o interesse em seguir pelos meandros dos estudos da biologia aquática. Sobressai a biodiversidade ictiologica e as suas relações com o espaço geográfico da Amazônia. O contato com o estudo de peixes elétricos (Ordem Gymnotiformes), e também como consequencia da função atual que estou exercendo no LFCE, de tratamento e organização da volumosa base de dados do laboratório sobre o tema, tem permitido o ensaio de idéias sobre a distribuição geográfica das espécies e sua relação com aspectos fisiográficos da região. Diversas possibilidades se apresentam e, ao analisar os programas de pós-graduação de Manaus, percebi que o BADPI oferece uma estrutura acadêmica sólida para contribuir na minha formação intelectual e no desenvolvimento dessa linha de pesquisa, que representa uma necessidade para estudo faunístico da região.
A inovação na ciência e tecnologia é parâmetro imprescindível para o eficaz enfrentamento dos novos desafios que se põem continuamente na Amazônia. Tal qual é a surpresa nos resultados, inovadora também deve ser o olhar sobre estes, sendo que, por vezes, somente novos olhares podem levar a novos resultados. A referida pesquisa de iniciação científica, agraciada com menção honrosa no Congresso de Iniciação Científica da UFAM – CONIC-UFAM, teve como destaque a inédita abordagem de aspectos relacionados à biogeografia dos peixes no estudo das cidades do rio Solimões. Além disso, a composição de uma música (Baré: bagres e redes) a partir dos resultados da pesquisa os tornaram de mais fácil difusão sendo esta executada tanto na apresentação no CONIC-UFAM, quanto em congressos nacionais onde o trabalho fora apresentado, contando com a aprovação de todos tendo, inclusive, repercussão na mídia local de Manaus. Atitudes criativas no âmbito das abordagens metodológicas e da difusão do conhecimento redundam em maior alcance da pesquisa no tocante aos resultados e na difusão deste. Além disso, experiências da inclusão do conhecimento tradicional nas análises podem ser avaliadas de forma positiva quando descoberto aporte do etnoconhecimento para o objeto de estudo. A abordagem biogeográfica de Gymnotiformes na bacia do Rio Negro tem boas perspectivas, pois tal inventário da biodiversidade não tem sido incluído na agenda de pesquisas em ictiologia na Amazônia como um todo. Com patente importância para estratégias de manejo e conservação, tal abordagem destaca-se como interface entre conhecimentos geográficos e biológicos. O uso de ferramentas de geotecnologia para tratamento e análise de imagens de satélite, espacialização dos dados e operações de estatística espacial são promissores nas análises ao que se pesem os fecundos resultados que tem sido encontrado na abordagem interdisciplinar perfeitamente possível com o uso dessas técnicas.
A proposta de uma dissertação que realmente resulte em contribuições significativas deve considerar esses e outros fatores. Optar pelo caminho acadêmico-científico de interpretação da realidade é uma construção que necessita de bases sólidas e compromisso para se efetivar num mundo onde o continuísmo insiste em residir. Entretanto, dedicação, inovação e interdisciplinaridade não são suficientes em si. Tais aspectos devem estar integrados e contar com doses bastante concentradas de uma afinidade com a Amazônia e seus problemas. Nobres intenções de contribuição na descoberta do novo para o avanço do conhecimento científico sobre a realidade sempre habitam os discursos dos muitos, e as práticas dos poucos. Para os que voltam para os seus, talvez fique a história de uma região que precisa ser conservada e mesmo o sentido de missão cumprida. Os que permanecem, quiçá percebam que somente a defesa de suas dissertações e teses não é suficiente contra o ataque da inconseqüência que protagoniza a degradação ambiental. Por vezes se cruzam tais fatos e, entre despedidas, seja de suas origens para os que ficam, ou de suas áreas de estudo para os que se vão, as ações não se tornam reflexivas no pensamento nem na realidade. Novas ponderações são necessárias quando se considera esse cenário. De qualquer forma, quando as práticas antecipam o discurso é sinal de que as chances de se alcançar uma práxis estão próximas mesmo que estas tenham sido cotidianas, na vida de quem nasceu e vive na região, e somente depois, com o ingresso na academia, passaram a ser científicas, como é meu caso.
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André de Oliveira Moraes
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